
Organizar as finanças e entender como calcular o lucro do Simples Nacional é uma das maiores dificuldades de pequenos negócios no Brasil. Principalmente entre prestadores de serviços, comércios e empresas do terceiro setor, essa etapa pode se tornar um obstáculo para o crescimento, se não for conduzida com precisão e estratégia.
Nesse sentido, muitos empreendedores ainda confundem lucro com faturamento, ou deixam de registrar corretamente os dados financeiros, o que compromete não só a saúde da empresa, como também a possibilidade de realizar uma distribuição de lucros legal e vantajosa.
Visão geral
ToggleO que é considerado lucro no Simples Nacional?
No regime tributário do Simples Nacional, o lucro é o valor que sobra da receita total da empresa após o pagamento de todas as despesas operacionais, tributos e encargos. Ou seja, é o ganho real que o negócio teve em determinado período.
Diferente do que muitos pensam, o lucro não é o valor que “sobrou na conta”, mas sim o resultado da subtração entre receita bruta e custos, considerando:
- Pagamento de fornecedores;
- Folha de pagamento;
- Impostos embutidos na DAS;
- Encargos fixos e variáveis (como aluguel, marketing e taxas bancárias).
A correta apuração do lucro é fundamental, principalmente porque esse valor pode ser distribuído aos sócios sem incidência de Imposto de Renda, desde que cumpridas as exigências legais.
Como calcular o lucro líquido no Simples Nacional
Calcular o lucro líquido é mais simples do que parece. Portanto, siga o seguinte passo a passo:
1. Some toda a receita bruta mensal: inclui todas as vendas e serviços prestados emitidos em nota fiscal;
2. Subtraia os custos e despesas operacionais: salários, encargos, aluguel, telefone, sistema de gestão, entre outros;
3. Subtraia os tributos pagos via DAS: o Documento de Arrecadação do Simples Nacional já inclui os impostos federais, estaduais e municipais.
A fórmula prática é:
Lucro líquido = Receita bruta – Despesas operacionais – DAS
Dessa forma, é possível ter uma visão clara do que realmente sobrou para a empresa — valor que poderá ser reinvestido ou distribuído entre os sócios.
A importância de um bom controle financeiro eficiente para organizar o lucro
A fim de manter o lucro do Simples Nacional sob controle, a empresa precisa ir além do cálculo. É necessário adotar boas práticas de gestão financeira que permitam visualizar o desempenho do negócio e identificar pontos de melhoria. Algumas dessas práticas incluem:
- Utilizar um sistema de gestão para registrar entradas e saídas;
- Categorizar corretamente as despesas por tipo;
- Separar contas pessoais das contas da empresa;
- Criar relatórios mensais de fluxo de caixa e DRE;
- Acompanhar os resultados em tempo real.
Essas ações tornam a análise do lucro mais precisa e ajudam na tomada de decisão. Além disso, facilitam a prestação de contas para os sócios e o cumprimento das obrigações contábeis exigidas por lei.
Diferença entre pró-labore e distribuição de lucros
Um erro comum é misturar o pró-labore (remuneração fixa dos sócios) com a distribuição dos lucros. Enquanto o pró-labore sofre tributação (INSS e IR), a distribuição de lucros pode ser isenta de impostos — desde que o lucro tenha sido corretamente apurado e documentado.
Portanto, para evitar problemas com o Fisco e garantir segurança jurídica, é fundamental:
- Definir o pró-labore em contrato social;
- Registrar a distribuição de lucros com base em demonstrativos contábeis;
- Manter a escrituração regular e organizada.
Você pode entender mais detalhes no artigo completo sobre distribuição de lucros no Simples Nacional.
Como funciona a isenção de IR na distribuição de lucros?
O grande atrativo do lucro do Simples Nacional é a possibilidade de isenção de Imposto de Renda na distribuição para os sócios. No entanto, para essa isenção ser válida, a empresa deve:
- Estar com a contabilidade regular;
- Apresentar balanço patrimonial e DRE assinados por um contador;
- Demonstrar que o valor distribuído não excede o lucro efetivamente apurado.
Se acaso a empresa não mantenha a contabilidade em dia, poderá distribuir apenas o lucro presumido, limitado ao valor determinado pela Receita Federal com base em percentuais fixos sobre o faturamento (geralmente entre 8% e 32%, dependendo da atividade).
Assim sendo, manter a contabilidade atualizada não é apenas uma formalidade — é uma vantagem estratégica para o empreendedor.
Erros comuns ao organizar o lucro no Simples Nacional
A fim de evitar retrabalho, prejuízos e multas, é essencial estar atento aos erros mais comuns cometidos por empresas optantes pelo Simples Nacional:
- Misturar despesas pessoais com as da empresa;
- Não registrar todas as receitas e despesas;
- Calcular lucro sem considerar tributos pagos;
- Distribuir lucros sem base contábil;
- Não contratar um contador especializado.
Essas falhas comprometem a saúde financeira do negócio e podem gerar problemas com a Receita Federal, incluindo autuações e pagamento de impostos retroativos.
O lucro no Simples Nacional interfere no valor pago de impostos?
Não diretamente. No Simples Nacional, o cálculo dos tributos é baseado no faturamento da empresa, e não no lucro. Contudo, a forma como você organiza o lucro pode impactar:
- Na margem de reinvestimento do negócio;
- No valor disponível para os sócios;
- Na possibilidade de antecipar tributos ou se planejar melhor.
Então, mesmo que o imposto não incida sobre o lucro, uma boa gestão financeira evita surpresas e prepara o negócio para crescer com sustentabilidade.
Organize seu lucro e cresça com segurança
Em conclusão, compreender o lucro do Simples Nacional é essencial para manter as finanças da empresa saudáveis, distribuir rendimentos com isenção de impostos e tomar decisões estratégicas com base em dados reais.
Para isso, a Outtax oferece soluções completas de gestão contábil e BPO Financeiro, com atendimento próximo e ferramentas práticas para empresas de serviços, comércio e do terceiro setor.
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